terça-feira, 7 de fevereiro de 2012


Granito

Meu ser teima ferozmente em
Ruminar uma amarga ansiedade,
E meu peito afunilando-se vai,
O ar rarefeito se torna e me falta.
É um clamor desesperado
E assim violento viola-me a alma,
Um amargo gosto anuvia
O céu de minha boca,
É o fel do negro céu de granito
De minha alma se despedaçando

Guilherme Zapata

sábado, 4 de fevereiro de 2012

 
Atordoado

A dor corrompe o amor,
Abro mão dos meus atos,
E jamais dos meus sonhos...
Sinto o fogo que queima interiormente,
Todavia, sei que o vento pode apaga-lo...
E se o vento não puder,
As lágrimas das nuvens apagarão...
Teu silêncio grita dentro de mim,
E atordoando-me vai...
Que meu coração oxidado
Não pare de tocar a doce sinfonia,
E que a doce sinfonia
Jamais deixe de ser valsante...

Guilherme Zapata

segunda-feira, 26 de setembro de 2011


F.

A meia noite perco-me em tuas horas,
desapareço na brisa fria
E penetro docemente em teu ser.
A canção ao fundo embala nossos suspiros
E meu olhar se perde no infinito de tua alma.
Teu sabor agridoce e tua pele macia...

Meus lábios percorrem esse horizonte

alvo e voluptuoso...
Noite sem fim, frenética,
E assim permaneço eternamente
a deriva em teu mar,
Apenas eternizando tal momento...

Guilherme Zapata

terça-feira, 8 de março de 2011


Concerto Sinestésico

As notas corriam soltas pelo ar
Em coloridos magníficos.
Verde, amarelo, azul...
Um arco íris sonoro, que ao seu fim
formavam ondas esfumaçadas
e sumiam lentamente...
Sons borbulhantes, que ecoavam
suavemente em meus tímpanos.
Era canção se misturando ao vento,
formando uma atmosfera cantante,
alegre e toda penetrante.
por instantes, a paz se
conectou ao universo,
trazendo um novo mundo
às minhas velhas retinas...

Guilherme Zapata

segunda-feira, 7 de março de 2011

 
Em teu leito de loucura, cura-me a alma.
Almejando pleno desespero a noite velada,
E a lua nua andando sai
Girando, girando, a girar vai.
E teu ar, raro efeito em meio as nuvens,
Vens nua e suave.
Alma branca e de ancas largas
Que me alaga os olhos..
Ostentando o céu,
Claro e doce mel
Meu brinquedo que quedas a noite
Testando-me cai...
Ardente, libidinosa serpente,
Por entre os dentes teu sabor me cala,
Tão pálida, assim és tu que me fala...

Guilherme Zapata
P.S.: Imagem Laurent Laveder

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011



Tão Simples

A lua,
espelho do sol,
que enfeita o céu escuro
salpicado de estrelinhas.
Todas tão pequeninas
que me lembram teus mínimos olhinhos.
Brilhos noturnos no céu da meia noite,
corpos nus em nossa cama ao meio dia,
e a lua que vai voltar com a luz que ilumina
nosso quarto ao cair do dia.

Guilherme Zapata
P.S.:Fotografia de Laurent Laveder

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011


Amor-zinho!

Hoje amanheci mais cedo.
Acordei o dia
E mandei o sol se levantar.
De tão bravo,
Ao meio dia ele se pôs a pino,
E assim tão claro
Tentou ferir-me os olhos nus.
Sim, era verão,
E todos os dias carregavam o clarão.
Na verdade,
Nesse mês tudo rima com ão
Só o meu amor - Termina em - zinho

Guilherme Zapata