segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

 
Partido...

Eu não caibo mais em ninguém,
Se ao menos em mim eu coubesse,
Mas não, agora só em ti caibo.
A medida de mim é um "ti" ao quadrado,
É um caber que está além de mim.
É teu o meu sonho
E é meu esse teu sorriso,
Continuo assim aquém de mim
Buscando os pedaços rasgados
De um coração de pano cortado...
Se ao menos um remendo tivesse,
Mas de tão velho e puído 
O coração já se era partido...

Guilherme Zapata

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012


C.

Nas entrelinhas do teu corpo
Perdido em pecado
Perambulando infinitamente
Por todas tuas curvas,
Por todas suas notas...

Agridoce sabor
Jardim dos prazeres
Maçã carnal que me completa,
Tatua-te em mim,
Seja eterna em minha pele.
Deixe-me apenas observa-la
E deleitar-me com tal formosura...

E que assim seja,
Teus olhos iluminando meus dias,
Tua boca embalando meus sonhos,
E sua alegria conduzindo minh'alma
E que assim seja eu pra ti também...

Guilherme Zapata

Granito

Meu ser teima ferozmente em
Ruminar uma amarga ansiedade,
E meu peito afunilando-se vai,
O ar rarefeito se torna e me falta.
É um clamor desesperado
E assim violento viola-me a alma,
Um amargo gosto anuvia
O céu de minha boca,
É o fel do negro céu de granito
De minha alma se despedaçando

Guilherme Zapata

sábado, 4 de fevereiro de 2012

 
Atordoado

A dor corrompe o amor,
Abro mão dos meus atos,
E jamais dos meus sonhos...
Sinto o fogo que queima interiormente,
Todavia, sei que o vento pode apaga-lo...
E se o vento não puder,
As lágrimas das nuvens apagarão...
Teu silêncio grita dentro de mim,
E atordoando-me vai...
Que meu coração oxidado
Não pare de tocar a doce sinfonia,
E que a doce sinfonia
Jamais deixe de ser valsante...

Guilherme Zapata

segunda-feira, 26 de setembro de 2011


F.

A meia noite perco-me em tuas horas,
desapareço na brisa fria
E penetro docemente em teu ser.
A canção ao fundo embala nossos suspiros
E meu olhar se perde no infinito de tua alma.
Teu sabor agridoce e tua pele macia...

Meus lábios percorrem esse horizonte

alvo e voluptuoso...
Noite sem fim, frenética,
E assim permaneço eternamente
a deriva em teu mar,
Apenas eternizando tal momento...

Guilherme Zapata

terça-feira, 8 de março de 2011


Concerto Sinestésico

As notas corriam soltas pelo ar
Em coloridos magníficos.
Verde, amarelo, azul...
Um arco íris sonoro, que ao seu fim
formavam ondas esfumaçadas
e sumiam lentamente...
Sons borbulhantes, que ecoavam
suavemente em meus tímpanos.
Era canção se misturando ao vento,
formando uma atmosfera cantante,
alegre e toda penetrante.
por instantes, a paz se
conectou ao universo,
trazendo um novo mundo
às minhas velhas retinas...

Guilherme Zapata

segunda-feira, 7 de março de 2011

 
Em teu leito de loucura, cura-me a alma.
Almejando pleno desespero a noite velada,
E a lua nua andando sai
Girando, girando, a girar vai.
E teu ar, raro efeito em meio as nuvens,
Vens nua e suave.
Alma branca e de ancas largas
Que me alaga os olhos..
Ostentando o céu,
Claro e doce mel
Meu brinquedo que quedas a noite
Testando-me cai...
Ardente, libidinosa serpente,
Por entre os dentes teu sabor me cala,
Tão pálida, assim és tu que me fala...

Guilherme Zapata
P.S.: Imagem Laurent Laveder